EUA abrem nova frente contra economia cripto iraniana
Fonte: Bitcoin Magazine·Publicado em 25/08/2026 às 18:01

Os Estados Unidos intensificaram esta semana as medidas contra o Irão, alargando as sanções económicas ao setor de criptomoedas num esforço para impedir que o regime use ativos digitais para contornar restrições internacionais. A Bitcoin Magazine avança que, num anúncio divulgado segunda-feira, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou que o setor de ativos digitais iraniano passa a estar sob a mesma autoridade sancionatória há muito aplicada às indústrias petrolífera, bancária e metalúrgica do país.
A medida enquadra-se na Operação Economic Outcast, uma campanha contra a República Islâmica apelidada de "Dia D económico", e representa uma escalada significativa na exposição ao risco para empresas cripto em todo o mundo. Com esta nova ação, o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros pode sancionar qualquer pessoa, independentemente da sua localização geográfica.
Segundo comunicado do OFAC, o regime iraniano recorre cada vez mais ao Bitcoin e outras criptomoedas como ferramenta preferencial para evasão de sanções, apoiando transações ligadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e figuras próximas do regime. Exchanges estrangeiras, mesas OTC, processadores de pagamento e fornecedores de infraestrutura que conscientemente facilitem transações relacionadas com o setor de ativos digitais iraniano ficam agora expostos a sanções próprias, juntamente com a perda de acesso ao sistema financeiro norte-americano.
O OFAC designou ainda membros de um grupo dentro do Ministério da Inteligência e Segurança acusado de hackear infraestruturas críticas norte-americanas em nome do regime, publicando os endereços das suas carteiras digitais. Behzad Mesri, co-líder do grupo, juntamente com Keyvan Fayyaz Ghareh Blagh e Arman Kahzadian, viram endereços de Bitcoin e outras criptomoedas adicionados à lista de sanções do Tesouro. Os três fazem parte de um contingente maior do MOIS que tem visado entidades norte-americanas através de roubo de dados e intrusões contra corporações e agências governamentais.
A Bloomberg noticiou em maio que o Irão tinha iniciado um serviço de seguros garantido com Bitcoin para empresas de navegação iranianas. Em julho, as autoridades norte-americanas anunciaram ter congelado criptomoedas ligadas ao regime iraniano, maioritariamente na forma da stablecoin Tether.
Ao contrário das stablecoins como o USDT da Tether, que podem ser congeladas pela entidade emissora, o Bitcoin não pode ser bloqueado desta forma por ser descentralizado e não ter um emissor único. Esta característica torna o Bitcoin particularmente atrativo para regimes sob sanções internacionais, aumentando a pressão sobre intermediários e prestadores de serviços para implementarem controlos rigorosos.

