EUA e Reino Unido criam aliança conjunta contra centros de fraude em criptomoedas
Fonte: Cointelegraph·Publicado em 04/09/2026 às 05:00

A administração norte-americana e as autoridades britânicas estabeleceram um acordo sem precedentes para enfrentar as redes criminosas responsáveis por esquemas de fraude em criptomoedas e investimentos ciber-facilitados. Conforme divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, o acordo foi assinado pelo Gabinete do Procurador dos EUA para o Distrito de Columbia, pela Agência Nacional de Criminalidade do Reino Unido e pelo Serviço de Persecução Penal de Inglaterra e País de Gales, marcando a primeira cooperação internacional desta natureza.
O memorando de entendimento estabelece protocolos de investigação paralela e partilha de informações entre as duas jurisdições. As autoridades já identificaram casos sobrepostos e planeiam realizar uma operação de perturbação com participação do setor privado em Londres no início de outubro. Este esforço coordenado visa desativar a infraestrutura operacional dos centros de fraude, impedindo futuras atividades criminosas.
O acordo surge num contexto de escalada preocupante das perdas reportadas nos EUA relacionadas com fraude em investimentos criptográficos. Segundo dados do Centro de Reclamações de Crimes na Internet do FBI, as perdas reportadas saltaram 89% entre 2023 e 2025, passando de 4,57 mil milhões de dólares para 8,65 mil milhões de dólares. Esta trajetória ascendente reflete a sofisticação crescente dos esquemas criminosos e a necessidade de respostas transfronteiriças coordenadas.
A iniciativa expande o mandato da Força Operacional contra Centros de Fraude, criada em novembro de 2025 sob liderança da Procuradora dos EUA Jeanine Ferris Pirro. Este mecanismo foi originalmente direcionado para redes de crime organizado chinês que operavam centros de fraude principalmente no Sudeste Asiático, frequentemente ligados a esquemas de fraude em criptomoedas interligados com tráfico humano e lavagem de dinheiro. A participação alargada inclui o FBI, o Serviço Secreto dos EUA, a Investigação Criminal da Receita Federal, as Investigações de Segurança Interna e vários departamentos do Ministério da Justiça, em colaboração com o Tesouro dos EUA, o Departamento de Estado e empresas privadas.
Conforme reportado pela Cointelegraph, as autoridades internacionais já têm demonstrado capacidade coordenada. Em abril, uma operação liderada pela polícia de Dubai envolvendo o FBI e o Ministério da Segurança Pública da China resultou em 276 detenções e no encerramento de pelo menos nove centros de fraude em criptomoedas. Seis indivíduos foram acusados de operarem plataformas falsas de investimento em criptomoedas para solicitar depósitos de vítimas.
Governos regionais também reforçaram as suas respostas legislativas. Mianmar promulgou legislação que prevê penas de prisão entre dez anos e prisão perpétua por fraude em moedas digitais, com a possibilidade de pena capital em casos em que indivíduos coagidos a trabalhar em centros de fraude foram mortos. O Parlamento aprovou o projeto de lei em julho, embora a ratificação presidencial ainda não tenha sido confirmada.
Esta estratégia multinível de cooperação internacional, reforço legal e perturbação operacional reflete o reconhecimento crescente da necessidade de abordagens coordenadas no combate ao crime organizado que explora o anonimato relativo e a liquidez dos mercados de criptomoedas. O enfoque conjunto coloca tanto os EUA como o Reino Unido na vanguarda de operações contra fraude transfronteiriça.

