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A ler: Ucrânia desmantelou rede de fraude cripto que drenou milhões em carteiras globais

Mercado

Ucrânia desmantelou rede de fraude cripto que drenou milhões em carteiras globais

Fonte: Decrypt·Publicado em 03/09/2026 às 10:00

As autoridades ucranianas desmantelaram uma sofisticada rede de fraude envolvendo plataformas de investimento falsas que visou cidadãos de mais de 20 nações, incluindo Alemanha, Polónia, Lituânia, Letónia, Espanha, França, Reino Unido, Canadá e Israel. Segundo comunicado das agências, foram identificadas 62 vítimas até ao momento, com o investigação ainda em curso para apurar o número total de lesados e a quantia global desviada.

O responsável pelo esquema, um especialista de informática de 25 anos, recrutou mais de 46 colaboradores ucranianos e operava múltiplos escritórios na capital e arredores. A estrutura criminosa era sofisticada: programadores desenvolviam as plataformas fraudulentas e mantinham-nas funcionais mesmo perante tentativas de bloqueio, enquanto outros elementos geriam os escritórios, contactavam vítimas por telefone e garantiam medidas de segurança operacional.

O Serviço de Segurança estimou o volume de negócios em até um milhão de dólares mensais no pico da operação. O modus operandi iniciava-se no Telegram, onde a rede divulgava supostos projetos de investimento cripto altamente rentáveis. Utilizadores que aderiam conectavam as suas carteiras e efetuavam transferências que eram apresentadas como investimentos. Os criminosos simulavam depois atividade comercial, exibindo saldos crescentes nos painéis de controlo de cada cliente.

Para proceder ao roubo efetivo, os delinquentes bloqueavam pedidos de levantamento de fundos e argumentavam que era necessário verificar o funcionamento da plataforma ligando a carteira principal e aprovando uma pequena transação de teste. Essa aprovação acionava um "drainer" implantado no site, que transferia todos os ativos para carteiras controladas pelo grupo e bloqueava o acesso da vítima.

De acordo com informações avançadas pela Decrypt, investigadores localizaram servidores nos Países Baixos que alojavam a base de dados do grupo criminoso e conseguiram aceder-lhe. A investigação revelou registos de vítimas, endereços de carteira, montantes roubados, correspondência interna e documentação operacional detalhada. O processo de registo e verificação recolhera ainda dados sensíveis como passaportes, números de telemóvel, endereços de correio eletrónico, credenciais de acesso e fotografias.

As operações de busca abrangeram 34 locais em Kyiv e região, resultando na apreensão de mais de 100 computadores, mais de 100 telemóveis, 79 cartões SIM, um gateway GSM, numerário e 15 veículos. Parte do património estava registado em nomes de esposas e familiares dos suspeitos. O organizador circulava com segurança armada, indicativo da relevância do empreendimento criminoso. O caso prossegue sob a alçada da Parte 5 do Artigo 190 do Código Penal ucraniano, com as autoridades a continuar a identificar envolvidos adicionais e a calcular o prejuízo total.