Projeto de mineração de Bitcoin da Tether no Uruguai colapsa por disputa contratual
Fonte: The Block·Publicado em 23/08/2026 às 23:01

O ambicioso projeto de mineração de Bitcoin da Tether no Uruguai, orçamentado em 120 milhões de dólares, chegou ao fim devido a uma disputa contratual com a empresa pública de energia do país. Segundo a Reuters, a operação colapsou depois de representantes da empresa emissora da stablecoin USDT não terem comparecido a uma reunião crucial para renegociar termos contratuais.
A UTE, empresa estatal responsável pelo fornecimento de eletricidade no Uruguai, cortou o fornecimento de energia às instalações de mineração da Tether em julho de 2025. A interrupção ocorreu na sequência da ausência de representantes da Tether numa sessão marcada para a assinatura de um contrato revisto, conforme revelado pela agência noticiosa.
O projeto representava um investimento significativo da Tether na indústria de mineração de Bitcoin, num país que se tinha posicionado como destino atrativo para operações deste tipo na América Latina. O Uruguai oferece condições de energia relativamente estáveis e custos competitivos, factores essenciais para a viabilidade económica da mineração de criptomoedas.
A necessidade de renegociação contratual sugere que termos inicialmente acordados entre a Tether e a UTE necessitavam de ajustamentos, embora os detalhes específicos das divergências não tenham sido divulgados. A não comparência dos representantes da empresa ao momento de assinatura do acordo revisto precipitou a decisão drástica de cortar o fornecimento energético.
Este colapso representa um revés considerável para a Tether, que tinha demonstrado interesse em diversificar as suas operações para além da emissão de stablecoins. A mineração de Bitcoin exige investimentos substanciais em infraestrutura e acordos energéticos de longo prazo, tornando a estabilidade contratual fundamental para a sustentabilidade das operações.
O caso ilustra os riscos associados a projetos de mineração em grande escala, particularmente quando dependentes de parcerias com entidades estatais em mercados emergentes. A gestão de relações contratuais e o cumprimento de obrigações administrativas revelam-se tão críticos quanto os aspetos técnicos e financeiros dos empreendimentos no setor.

