Fundador da BitMart rejeita auditoria enquanto utilizadores reportam fundos bloqueados
Fonte: CoinDesk·Publicado em 17/08/2026 às 17:03

O fundador da exchange de criptomoedas BitMart rejeitou exigências para explicar porque é que vários clientes não conseguem retirar os seus fundos e alguns funcionários não receberam os salários de julho. Sheldon Lee afirmou que a conta em chinês da plataforma na rede social X, que publicou os pedidos de auditoria, tinha sido pirateada.
Segundo a CoinDesk, a publicação na conta em mandarim apelava a que Lee e o seu sócio Yi Li abrissem os livros de contas, incluindo carteiras, ativos, passivos e reservas disponíveis, a uma verificação independente. O prazo dado ao fundador para responder terminava a 19 de agosto. A BitMart tinha anunciado em julho o fim das operações, com o último dia de negociação marcado para 26 de agosto, mas muitos utilizadores continuam a reportar levantamentos bloqueados.
Na sua resposta, Lee não abordou diretamente as exigências de auditoria, focando-se apenas no alegado ataque informático. O responsável afirmou ter recolhido evidências completas do conteúdo publicado, classificando-o como rumores fabricados, e anunciou que iria apresentar queixa às autoridades e enviar uma carta de advogado à plataforma X exigindo perícia técnica e de dados.
Relativante aos salários em atraso dos funcionários, o fundador da exchange sediada nas Ilhas Caimão declarou que os ativos dos trabalhadores não têm prioridade sobre os dos clientes, afirmando que todos são clientes e não existem privilégios. Um utilizador conhecido como BeardStaff relatou que os seus ativos, no valor de 10 milhões de dólares, estão inacessíveis desde o anúncio de 26 de julho, e que um gestor VIP dedicado o removeu do Telegram no mesmo dia em que os levantamentos foram bloqueados.
O investigador onchain ZachXBT questionou Lee diretamente, sugerindo que se a exchange realmente tivesse liquidez, deveria simplesmente devolver os fundos a todos em vez de publicar declarações vagas. Outro utilizador foi mais direto ao afirmar que ninguém perguntou se a conta tinha sido pirateada, exigindo uma resposta sobre quando os utilizadores poderão levantar os seus fundos.
Roshan Dharia, diretor executivo da firma de investimento em ativos em dificuldades Echo Base, revelou que a sua empresa ofereceu à BitMart um pacote de reestruturação financiado, incluindo financiamento em regime de insolvência e capital próprio, subscrito pela Echo Base como credora. No entanto, a BitMart não respondeu à proposta.
Dharia alertou que uma carteira custodial desta dimensão não pode ser resolvida consensualmente, porque não é possível contactar de forma fiável uma base tão dispersa de clientes de retalho, e cada utilizador não contactado mantém direito à reclamação integral. Segundo o responsável, não existe versão deste cenário que termine bem sem recurso a tribunal, sendo a única questão se a BitMart apresentará um plano com um patrocinador financiado ou será levada aos tribunais pelos próprios reclamantes. O autor da publicação na rede social ameaçou submeter todos os dados, pistas de fundos e evidências disponíveis às autoridades policiais, reguladores, advogados e meios de comunicação em todo o mundo caso não receba resposta verificável até ao prazo estabelecido.

