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Mercado

Executivos da CME e Kalshi confrontam-se em debate aceso sobre mercados de previsão em Washington

Fonte: Decrypt·Publicado em 20/08/2026 às 23:00

Uma reunião da Commodity Futures Trading Commission destinada a debater a regulação de mercados de previsão transformou-se num aceso confronto público na quinta-feira, quando Terry Duffy, presidente da CME Group, e Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, trocaram críticas diretas sobre manipulação de mercado e credibilidade.

Segundo reportado pela Decrypt, o encontro em Washington reuniu executivos das finanças tradicionais, criptomoedas e mercados de previsão para discutir a regulação de contratos baseados em eventos. Duffy, cuja CME Group opera a maior bolsa de futuros do mundo por volume, expressou preocupação significativa com os mercados de previsão, argumentando que alguns contratos são suscetíveis a manipulação. O executivo defendeu que a sua instituição não representa "um bando de charlataẽs de circo", mas sim "os mercados mais invejados do mundo nos Estados Unidos da América".

Duffy direcionou críticas específicas aos tipos de contratos oferecidos pela Kalshi, ridicularizando sarcasticamente um contrato sobre o concurso de comer cachorros da Nathan's por considerá-lo economicamente irrelevante. O presidente da CME questionou ainda porque razão a Kalshi pode oferecer um mercado de previsão sobre computação enquanto os contratos semelhantes propostos pela CME permanecem sob revisão regulatória.

Após ser diretamente mencionada, Lara ripostou questionando o histórico da própria CME: "Gostaria de perguntar ao Terry: a CME alguma vez teve problemas com manipulação de mercado, algum problema na sua história?". Quando Duffy tentou desviar oferecendo um debate formal, Lara insistiu numa resposta direta. O executivo respondeu afirmando ter "mais pessoas no departamento regulatório do que vocês têm em toda a empresa", ao que Lara retorquiu: "Talvez devesses aprender um pouco sobre eficiência então". Duffy concluiu o embate sugerindo que Lara deveria "aprender sobre mercados credíveis" antes do moderador Walt Lukken intervir.

A cofundadora da Kalshi argumentou que os problemas levantados por Duffy não são exclusivos dos mercados de previsão, afirmando que todos os mercados apresentam riscos, especialmente os nascentes, e que tanto os mercados tradicionais como todas as bolsas, onshore e offshore, já enfrentaram dificuldades. Lara defendeu que o propósito da regulação é precisamente identificar e resolver estes problemas de forma adequada.

Jason Robins, CEO da DraftKings, interveio posteriormente apelando ao fim dos ataques mútuos, pedindo a todos os participantes que se abstivessem de criticar os modelos de negócio uns dos outros, por considerar que tal postura não faz avançar a discussão. Os mercados de previsão permitem aos utilizadores apostar no resultado de praticamente qualquer evento através de contratos de futuros que liquidam a um dólar, com o preço do contrato a implicar as probabilidades do evento.

As plataformas de mercados de previsão que operam nos Estados Unidos, como a Polymarket e a Kalshi, tornaram-se o centro de uma disputa entre reguladores federais e estados sobre se os contratos ligados a desporto, eleições e outros eventos do mundo real constituem derivados regulados federalmente ou produtos de jogo sujeitos à lei estadual. A presidente da CFTC, Rostin Behnam, defendeu a jurisdição da agência sobre mercados de previsão regulados federalmente, tendo avisado os estados que desafiassem essa autoridade em fevereiro com um "vemo-nos em tribunal" publicado em vídeo na rede social X.

Em junho, a CFTC propôs restrições a determinados contratos envolvendo guerra ou assassinato e algumas apostas desportivas consideradas particularmente suscetíveis a manipulação. No início deste mês, nove senadores democratas instaram a presidente da agência a proibir contratos sobre incêndios florestais, alertando que poderiam criar incentivos para incêndio criminoso, uso de informação privilegiada e lucro com desastres. A Kalshi enfrentou reveses judiciais em vários estados, tendo um juiz de Washington ordenado na semana passada que a empresa cessasse a oferta de contratos sobre desporto, eleições, política e outros eventos no estado, considerando provável a violação das leis estaduais sobre jogo e proteção do consumidor.